Ética, direitos humanos e a “filosofia africana feminista” em Ângela Davis

José André da Costa

Resumo


O interesse estratégico-epistêmico deste artigo é investigar o “pensamento político-filosófico” da filósofa Ângela Davis, na perspectiva dos direitos humanos, tendo como horizonte a filosofia africana, na ótica feminina. Com os direitos humanos pretende-se trazer para a roda do debate filosófico os problemas, de um “sujeito invisível”, a mulher negra, junto com a questão da violência e a emancipação das mulheres em geral (poder e não-poder), não nesta ordem necessariamente, mas de forma indissociável. O giro argumentativo que pretendemos apresentar e desenvolver para ser coerente com o tema proposto é debater os conceitos de liberdade e responsabilidade, bem como reivindicar a reflexão sobre a africanidade, sexismo, xenofobismo e o racismo, como questões antropológicas relevantes. Com este objetivo destacamos a luta pelos direitos humanos, na perspectiva do “inter-trans-gênero”. A tese que pretendemos assegurar e defender com auxílio da filósofa norte americana, Ângela Davis, é considerar que “o racismo, o sexismo, o xenofobismo” e a violência toleradas pela ordem instituída, junto com a divisão de classes, são os elementos que constituem os pilares da discriminação e da “produção da inferioridade” do ser humano, especialmente, dos índios/as e dos negros/as. Isto tudo compõe a negação histórica da conquista dos direitos humanos, na ideologia do mercado capitalista.

Palavras-chave


Filosofia africana; Racismo; Ética; Direitos humanos; Xenofobia; Sexismo; Abolição

Texto completo:

PDF

Referências


BILGE, Sirma. Teorias feministas da intersetorialidade. Trad. Helena Hirata. Diógenes, 1, 2009.

BRITO, Benilda Regina Paiva de. Mulher, negra e pobre: a tripla discriminação. Teoria e Debate, n. 36, out. 1997. Disponível em: https://teoriaedebate.org.br/1997/10/01/mulher-negra-e-pobre-a-tripla-discriminacao/. Acesso em: 22 ago. 2018.

CASTORIADIS, Cornelius. Feito a ser feito: As encruzilhadas do labirinto V. Rio de Janeiro: DP&A, 1999.

DAVIS, Angela Yvonne. As mulheres negras na construção de uma nova utopia. Cadernos do CEAS, n. 210, mar./abr. 2004. Disponível em: https://www.geledes.org.br/as-mulheres-negras-na-construcao-de-uma-nova-utopia-angela-davis/#ixzz4G2fiIbM2. Acesso em: Acesso 19 ago. 2018.

DAVIS, Angela Yvonne. Mulheres, Raça e Classe. São Paulo: Boitempo, 2016.

DAVIS, Angela Yvonne. Viver e Continuando Lutando. In: WERNECK, Jurema (Org.). O Livro da Saúde das Mulheres Negras. Rio de Janeiro: Pallas/Criola, 2000.

FOUCAULT, Michel. Vigiar e Punir. Petrópolis: Vozes, 1990.

GEBARA, Ivone. Poder e não-poder das mulheres. São Paulo: Paulinas, 1991.

GUIMARÃES, Nadya Araujo. Os desafios da equidade: reestruturação e desigualdades de gênero e raça no Brasi”. Cadernos Pagu, 2002.

HIRATA, Helena. Tempo Social, Revista de Sociologia da USP, v. 26, n. 1, 2014.

IANNI, Octavio. A era da globalização. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1997.

MBEMBE, A. A Crítica da Razão Negra. Trad. Marta Lança. Lisboa: Antígona, 2014.

RACIAL SEGREGATION. In: WIKIPÉDIA: a enciclopédia livre. Flórida: Wikimedia Foundation, 2020. Disponível em: https://en.wikipedia.org/wiki/Racial_segregation. Acesso em: 28 jan. 2020


Apontamentos

  • Não há apontamentos.

Comentários sobre o artigo

Visualizar todos os comentários


Licença Creative Commons
Instituto Superior de Filosofia Berthier (IFIBE) | Rua Senador Pinheiro, 350 - Bairro Vila Rodrigues - CEP 99070-220 - Passo Fundo, Rio Grande do Sul - Brasil | Esta obra está licenciado com uma Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.

ISSN: 2526-5709