Nova democracia e formação humana: a proposta da educação ambiental ecomunitarista

Sirio Lopez Velasco

Resumo


Resumo: Neste trabalho abordamos a necessidade de uma nova democracia para o Brasil, e propomos a educação ambiental ecomunitarista como modelo de formação humana capaz de sustentar essa nova ordem democrática. Partimos da constatação de que a suposta democracia representativa chegou no Brasil a uma situação de esgotamento, pelo fato de que os supostos representantes não representam os supostos representados, e pela vinda à luz de uma corrupção sistêmica que afeta quase todas as formações políticas com funções executivas ou legislativas. Esse esgotamento leva à necessidade de se construir uma nova democracia, nos moldes participativos. Para fundamentá-la propomos as três normas básicas da ética, que temos deduzido argumentativamente da gramática profunda da pergunta que a instaura, a saber ‘Que devo fazer?’; assim essas normas tem validade intersubjetiva universal e são insuperáveis, pois se apóiam nos limites do pensamento discursivo. A primeira dessas normas exige que lutemos para garantir a nossa liberdade individual de decisão (entendendo que o ser humano não é livre, mas está obrigado por essa norma a lutar pela sua liberdade); a segunda norma nos obriga a realizarmos essa liberdade em buscas de respostas e ações consensuais com os outros (de forma que a nossa liberdade não se oponha a deles, mas se prolongue nela); e a terceira norma nos obriga a preservar-regenerar uma natureza humana e não humana sadia. Com base nessas três normas fundamentais apresentamos um breve perfil do ecomunitarismo (ordem socioambiental utópica pós-capitalista, guia e horizonte parta a ação cotidiana) e resumimos algumas características básicas da educação ambiental ecomunitarista, base político-pedagógica da nova democracia proposta. Uma e outra devem abranger, entre outras, as esferas da educação formal e não formal, a economia ecológica e sem patrões, a política de todos e a comunicação simétrica. 

Palavras-chave: Brasil. Nova democracia. Educação ambiental ecomunitarista. Ecomunitarismo.

DEMOCRACY AND HUMAN EDUCATION. THE ECOMMUNITARIANIST ENVIRONMENTAL EDUCATION

Abstract: In this paper we approach the need of a new democracy in Brazil, and propose the ecommunitarianist environmental education like a model of human education to sustain this new democratic order. We start from the fact that the supposed representative democracy in Brazil came to a impasse because the supposed represent ants don’t represent the citizens, and because a systemic corruption appear all days in the newspapers involving almost of the political organization with responsibilities at the executive or legislative level. These facts shows the necessity of a new democracy with participative fundaments. To base this new democracy we propose the three basic ethical norms that we deduced from the profound Grammar of the capital question of ethics, What must I do? These norms have a intersubjective and universal validity because them are founded at the border of argumentative discourse. The first of these norms obligate each of human beings to fight for his freedom to decide; the second one obligate us to use this freedom in consensual research of answers and actions with de others; and the third of the three basic norms of ethics obligate us to preserve and regenerate a healthy human and non human nature. Since these three norms we present the abstract of ecommunitarianism (utopic post capitalistic political and environmental order that guide us each day in each action) and we resume some of the characteristics of the ecommunitarianist environmental education that is the pedagogic and political basis of the new democracy we propose. Both of them must include, between other dimensions, the formal and non formal education, the ecological e cooperative economy, and a symmetrical communication.

Keywords: Brazil. New democracy. Ecommunitarianist environmental education. Ecommunitarianism.


Palavras-chave


Brasil; Nova democracia; Educação ambiental ecomunitarista; Ecomunitarismo

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