Seminário Foucault lembra 25 anos da morte do filósofo

 

 

O Seminário Foucault foi aberto na noite de 08 de junho com uma conferência do professor doutor Castor M.M. Bartolomé Ruiz, do Programa de Pós-Graduação em Filosofia da Unisinos, que versou sobre o tema “o pensamento de Foucaut e a filosofia contemporânea”. O evento tem por objetivo retomar o pensamento filosófico de um dos mais influentes filósofos do século XX, autor das obras como Vigiar e Punir e História da Sexualidade, entre outras, na ocasião em que se lembra os 25 anos de sua morte, a fim de abrir debates sobre temas como poder (e biopoder), saber, subjetividade, verdade, cultura ocidental e sua relação com os direitos humanos. O evento também marca o lançamento do Livro “Biopoder e Direitos Humanos: estudos a partir de Michel Foucault”, do professor Valdevir Both, publicado pela Editora IFIBE.

Na abertura do evento, o professor Castor Ruiz apresentou as linhas gerais da biografia e do pensamento filosófico de Foucault. Identificou as questões centrais da preocupação do filósofo como sendo a compreensão do sujeito humano e o processo de sua constituição, tendo em conta as relações de saber (verdade) e de poder. Disse que: “O problema central da filosofia de Foucault é o sujeito, em correlação com as práticas de verdade, os discursos por elas produzidos e seus efeitos de poder. Estes três conceitos, verdade, poder e sujeito, se articulam de formas diversas ao longo de todo o pensamento de Foucault”. Apresentou o método construído pelo autor francês, fazendo um resumo da arqueológica e da genealógica propostas por Foucault. Sobre a arquelogia da verdade disse: “a arqueologia é o método de análise das práticas discursivas que visa encontrar por quais condições um determinado discurso se torna válido historicamente. Ou seja, a arqueologia pesquisa os modos de validação de uma determinada verdade, porque uma determinada verdade é válida e verdadeira numa época e não em outra, o que torna verdadeira uma verdade”. Sobre a genealogia disse: “o método genealógico rastreia a verdade pela história, ciente de que a verdade é uma criação humana, portanto histórica, busca o momento de nascimento de uma verdade, não como algo já dado que precisou ser apenas descoberto, mas como algo criado, como algo pronunciado. Seu objetivo é mostrar a evolução dos sentidos de uma verdade ao longo da história”. Em resumo, disse: “a arqueologia é uma fotografia de um acontecimento, de uma verdade, enquanto a genealogia é o filme de sua gestação histórica”. Fez um rápido resumo da compreensão de saber e de verdade e também de poder construídas pelo filósofo. Finalizou com o que chamou de constituição ética da subjetividade proposta por Foucault, quando explicitou a noção de “cuidado de si”, formulada pelo filósofo francês a partir de seus estudos feitos nos últimos anos de vida, nos quais se dedicou a pesquisar sobre o processo de constituição do sujeito ocidental, tendo buscado suas origens no pensamento greco-romano. O debate com os participantes permitiu que fossem tratadas questões variadas e que foram além do pensamento de Foucault.

O evento seguem nesta terça-feira (09 de junho) com o lançamento do livro “Biopoder e Direitos Humanos”, seguido de uma conferência sobre o mesmo tema, e que será feita pelo professor Valdevir Both.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
   

 


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