Professor participa de seminário
sobre judiciário
O professor Paulo César
Carbonari participou nos dias 02
e 03 de junho do “Seminário para
apresentação e orientação do
Observatório da Justiça
Brasileira”, promovido pela
Secretaria de Reforma do
Judiciário do Ministério da
Justiça, em Brasília, DF. O
seminário teve por objetivo
conhecer e sugerir propostas
para a organização do
Observatório da Justiça
Brasileira, tomando em conta
proposta inicialmente elaborada
pela UnB e pela UFRJ.
O seminário iniciou na noite do
dia 02 de junho com uma
conferência do professor
Boaventura de Sousa Santos, que
coordena o Observatório da
Justiça Portuguesa, inspiração
para a criação do observatório
brasileiro. Participaram
representantes das carreiras
jurídicas, dos tribunais,
lideranças de movimentos sociais
populares, professores
universitários e pessoas da
imprensa. Estendeu-se ao longo
do dia 03 de junho, ocasião em
que foram realizados quatro
painéis de debates com a
presença de especialistas de
diversos cantos do Brasil.
O professor Carbonari participou
na condição de comentarista e
apresentou observações no painel
“O sistema judicial brasileiro
no contexto de uma sociedade
democrática contemporânea”.
Em síntese chamou à atenção
de que o Observatório, que
pretende ser espaço de
produção de conhecimento
sobre o Sistema de Justiça,
deve tomar em conta o saber
científico/acadêmica, mas
também voltar-se para
sistematizar saberes e
práticas populares de
justiça, que vão além das
ações do sistema
institucionalizado. Também
ressaltou que o perfil
científico do Observatório
não deveria excluir a
dimensão política, visto que
o saber científico não é
neutro. Em seu entendimento,
somente poderia fazer isso
se o Observatório tiver uma
finalidade clara e precisa
de atende ao que é público,
escapando ao máximo tanto do
que chamou de “razões de
estado” quanto das “razões
de interesses” (privados ou
corporativos).
Insistiu, com ênfase, que os
interlocutores centrais do
Observatório haveriam de ser os
“sujeitos de direitos”, que se
manifestam socialmente das mais
diversas formas, especialmente
através dos movimentos que lutam
por direitos, o que não
significaria afastar-se das
instituições – todavia,
instituições não são criadas e
nem tem finalidades em si
mesmas, por isso, exatamente
para que o Observatório não
fique refém de suas lógicas, tem
que se abrir para a sociedade e
seus agentes.
Finalmente, apresentou o que
chamou de desafios para que o
Observatório possa atender à sua
finalidade principal: a) deverá
tomar em conta as
condicionalidades injustas e
iníquas que marcam o contexto
social, político, econômico e
cultural no qual se inserem as
instituições do sistema de
justiça; b) dialogar com
práticas populares de exercício
de direitos e de realização da
justiça (aquelas dos movimentos
populares) como alternativas de
construção de processos de
mediação de conflitos, de
reparação comutativa e outras
formas de resolução de conflitos
sociais; c) tomar a sério os
agentes populares e suas
dinâmicas de organização, às
vezes até de resistência e de
insurgência (desobediência
civil) legítimas, no sentido de
fazer frente ao processo
crescente de criminalização dos
defensores de direitos em geral
e dos defensores de direitos
humanos em particular.