Instituto Superior de Filosofia Berthier


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Artigos

Das coisas que não falam por si !

 

 

Édson Régis de Jesus [1]

 

 

Aristóteles, grande pensador da Grécia Antiga (384 a.C.-322 a.C.), aquele mesmo que afirmou que o homem é um ser político (zoon politikon) também afirmou que o sentido que mais nos causa interesse e prazer, aquele que nos inclina à realidade e a pensar é aquele que nos possibilita ver, a visão.

 

Desta forma, não podia ter sido diferente a ênfase midiática às palavras do nosso presidente ao se referir a mais uma página de corrupção na política brasileira. Será que “ver” (com alto e em bom som) uma lista de políticos e assessores embolsando, encasacando, encuecando e, por falta de espaço, colocando dinheiro dentro de meias pode ser ainda um sinal de espanto nas plagas tupiniquins?

 

E mais uma vez retornam as máximas políticas de que eram doações, “eu não fiz e não sei de nada”, tudo pela “campanha política”, como se na campanha tudo fosse permitido... valendo-se do tripé: o silêncio, a paciência do vamos ver no que dá e, por fim, o esquecimento eleitoreiro.

 

Se todo o invólucro das imagens vistas do governador Arruda podem não ter lá tanta importância, como declara o presidente, temos de pensar se o que vemos pode ainda nos assombrar, isto é, que imagens, por si só, podem agora significar alguma coisa?

 

Nos moldes presidenciais, talvez, professores sendo espancados em escolas e a má qualidade educacional, falta de decência nos vestuários em universidades, criminosos que explodem helicópteros, pessoas morrendo nas filas de espera em hospitais, a lastimável situação de nossas rodovias, devastação amazônica por queimadas de quilômetros (temas retirados de jornais em uma única edição), e inúmeras situações que vemos, nos deparamos e somos obrigados a enfrentar cotidianamente. Será que, por si só, não significam nada?

 

Como existem olhares e visões incomuns, o que Aristóteles não soube é que mesmo que vejamos coisas que poderiam nos escandalizar, determinadas situações não falam por si só pelo fato de que existe um grupo de pessoas que não são comuns e, assim, não podem ser julgadas “pelo que se vê”. Estes impopulares, mesmo que sejam vistos e ouvidos, independente do que fazem, não podem ser julgados comumente, afinal muitas coisas que vemos no Brasil não falam por si só, são definitivamente sem explicação, mas que seguem, infelizmente, acontecendo.

 

 

 

 


[1] Licenciando em filosofia pela UPF e mais um cidadão indignado!

 

 

 

 

 

 

Publicado em www.ifibe.edu.br em 02/12/2009


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