Há 400 anos

Paulo César Carbonari [1]

Os registros históricos informam que há 400 anos, no dia 25 de agosto de 1609, Galileu Galilei (1564-1642) apresentou publicamente o telescópio com o qual fez grandes descobertas astronômicas que marcariam mudanças substantivas na forma de ver o mundo.

A descoberta do telescópio deve-se ao holandês Hans Lippershey. Galileu, professor na Universidade de Pádua, na Itália renascentista, tomou este instrumento e o utilizou na viabilização de condições para demonstrar que as teses de Copérnico sobre o universo faziam sentido e poderiam ser demonstradas.

O telescópio lhe ampliou a visão e permitiu que visse crateras na lua, os satélites de Júpiter, o planeta Vênus, a infinidade de estrelas da Via Láctea, manchas no Sol e tantos outros “segredos do universo”. Estas descobertas o levaram a compreender e a defender que o mundo já não podia ser visto de forma geocêntrica, como a tradição clássica greco-medieval ensinava, e que conviria adotar o sistema copernicano, heliocêntrico. Uma revolução na forma de ver o mundo e que custaria caro a Galileu e séculos de investigação científica até que se chegasse a concluir que o universo é muito maior do que o sistema solar e que, aliás, é infinito, ou ao menos, que os humanos ainda não construíram um telescópio potente o suficiente para poder alcançá-lo.

Galileu foi silenciado pela inquisição, em 1616, depois de ter tornado públicas suas descobertas através da obra “O Mensageiro Celeste” (1610). Teve que se retratar publicamente, em 1633, depois de ter publicado no ano anterior o livro “Diálogo sobre os Máximos Sistemas do Mundo” no qual apresenta suas teses a favor do heliocentrismo em diálogo com o geocentrismo.

A contribuição de Galileu, para além de suas teorias cosmológicas, está em mostrar que a investigação não tem parâmetros e protocolos definitivos. Mais do que métodos e planilhas prontas, a inteligência humana tem diante de si o desafio de formular perguntas e buscar respostas.

Galileu, ciente de sua responsabilidade ética como investigador, ensina que fazer ciência, produzir conhecimento, é, acima de tudo, comprometer-se com a verdade, tarefa profundamente difícil e sempre dada a controvérsias. Seu limite é a responsabilidade com a proteção e promoção da vida em geral e a dignidade humana, em particular.

 

 

 


[1] Mestre em Filosofia (UFG), professor de filosofia no IFIBE.
 

 

 

Publicado em www.ifibe.edu.br em 26/08/2009

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
   

 


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