No banco da praça

Caroline de Cássia Secchi 2]

 

Ontem era pra ser apenas mais um final d’aqueles dias,

quando sentei no banco da praça

pra esperar o busão como a maioria.

Mas, enquanto o ônibus não passa,

ao meu redor vi coisas que não gostaria;

Racismo pra mim era tema de ficção,

naqueles minutos ali parada,

percebi que fora da televisão o negro ainda é discriminado.

O primeiro não tinha mais que vinte cinco,

ao se aproximar das pessoas, na parada,

elas reagiram por instinto,

se esquivarem de quem não faria nada.

E como se não bastasse, antes do meu ônibus passar,

apareceu aquela senhora negra, de aparência cansada,

vi as pessoas mudarem o olhar,

vi a mulher se sentindo rejeitada.

Foi assim que começou minha reflexão...

O racismo também é silencioso,

o preconceito é, de certo modo, escravidão,

e quando agride a alma deve ser muito doloroso.

Os negros quando chegaram aqui,

contribuíram para o Brasil crescer deste jeito,

e a nossa maneira de retribuir,

foi negar-lhes os mesmos direitos.

Caí na realidade,

em poucos minutos sentada no banco.

O racismo vive na sociedade,

por isso, os “Jackons” desejam ser brancos.

Direitos são direitos, são pra todos os humanos,

e muito mais os negros têm que reivindicar.

Amanhã, mais nos falamos,

que meu ônibus chegou, vou pegar...

 

 


[1] Crônica apresentada ao Instituto Superior de Filosofia Berthier, tendo em vista o projeto crônicas filosóficas.

[2] Acadêmica do primeiro ano do primeiro semestre do Curso de Bacharelado em Filosofia do Instituto Superior de Filosofia Berthier – IFIBE.

 

 

 

 

Publicado em www.ifibe.edu.br em 15/05/2009

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
   

 


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