Desenvolvimento Humano e Globalização

Sueli Gehlen Frosi [1]

 

A era da Luzes acreditou que a ciência e a técnica permitiriam a emancipação da humanidade. Acreditava-se que estaríamos livres até das catástrofes naturais provocadas por tufões, inundações, terremotos, incêndios.

O que estamos vivendo, no entanto, não é uma caminhada emancipatória, pois não estamos buscando os fins, mas estamos ocupados com os meios. Os fins dizem respeito às grandes questões humanas, como a liberdade, a justiça, a democracia. Os meios são as técnicas de dominação, não permitindo que cada povo possa buscar seu destino, sua história, para poder participar dela.

O Índice de Desenvolvimento Humano medido pela ONU reflete a grande capacidade técnica que temos em nos compararmos uns aos outros. Busca-se adequação aos índices, ao invés de procurarmos uma história própria, uma identidade. Medir a vida boa de um povo é algo mais do que contar quanto conseguimos em números.

No caso do Brasil, que, segundo o IDH, subiu no patamar, estando junto a países do primeiro mundo, sendo, no entanto, o último entre eles. Mas, se comparado aos piores índices, ele está no topo, o que não reflete nem de longe a nossa realidade.

Se pensarmos no fim que deve ser visado que é a vida boa, não podemos dizer que somos um povo educado, já que, apesar de colocarmos quase todas as crianças na escola, uma grande parte delas, na quinta série, não sabe ler nem contar. Não somos um povo saudável, mesmo diminuindo a mortalidade infantil, pois grande parte das crianças não tem alimentação adequada, nem acesso a serviços de saúde condizentes com sua condição de prioridade absoluta, segundo as leis. Outro indicativo de que não temos boa saúde é o fato de, a cada esquina, haver uma farmácia comercializando medicamentos em sua grande maioria sem receita médica.

A globalização é uma nova forma de servilismo no qual somos obrigados a mergulhar, o que nos empurra para a massificação, pela procura por adequação aos índices indicadores de que estamos prontos a, pacificamente, nos entregarmos e sermos consumidores do que todo mundo consome, a vermos o que todo mundo vê, a gostarmos do que todo mundo gosta.

Vivemos um estado de permanente concorrência, o que é o imperativo global e renunciamos à nossa identidade, num movimento vazio, que não visa a nada mais além da concorrência em si. Renunciamos aos nobres fins que devem nortear a humanidade e nos contentamos em figurar entre uns e outros como se tabelas medissem a felicidade de um povo.

A idéia de progresso deve ter como finalidade a felicidade e a liberdade do ser humano ao invés de sua escravização. Empreender uma marcha ao contrário, mesmo que figuremos entre os melhores, segundo pesquisas da ONU, é negar qualquer perspectiva emancipatória.

 

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[1] Ex-aluna do IFIBE

 

 

 

 

Publicado em www.ifibe.edu.br em 26/02/2008

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
   

 


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