Catarse natalina

 

Saudações a todos vocês amigos...

Alguns de perto, cujo contato tem sido maior e aos outros de longe, não esquecidos, os quais apenas temos vivo na memória seu jeito de ser e determinados momentos em que, por algum tempo, vivenciamos experiências juntos...Amigos, mais um natal se aproxima...

Pois então, mais um ano que se finda... certamente muitas coisas aconteceram a todos. Mudanças. Ah! sim quantas mudanças: boas, ruins. Assim vamos formado nossa vida num desejo irrefreado dum poder-ser sempre por ser acabado, mas que nunca se acaba com o fim de ano.

Nestes trajetos, não andamos sozinhos como moscas tontas sobre o doce da vida, mas andamos juntos, nos cruzamos, perpassamos caminhos que não, necessariamente fomos nós que abrimos. Assim, nós caminhamos juntos, uns por aqui, outros por ali, mas caminhamos. Os "outros-nós," que acompanharam, um dos outros, o perpassar do 2007. Por isso que devemos comemorar juntos o júbilo do natal. Tempo de re-nascer para um novo caminhar.

Natal? Talvez eu também tenha amnésia porque às vezes esqueço quem nasce. Dou-me à luxúria e ao ócio desta vaga desmemória, por medo ou receio do que isso venha acarretar a minha vida algum dever ou até mais liberdade (o humano medo de escolhas, pavor em ser livre!). Mas infelizmente não se pode se desligar por completo daquilo que desde pequeno o ethos ensinou e que continua pela própria vida.

Eis que comemoramos então o nascimento dum tal de Cristo, mas o cristo de quem? Que Cristo que nasce? E será que nasce mesmo?

O fato é que estamos a fazer uma festa de aniversário sem aniversariante! Coisa estranha!           

O natal é recheado de elementos simbólicos. Podíamos afirmar que eles configuram o nosso teatro moderno nos moldes da antiga tragédia grega. A Tragédia grega era a imitação, em forma de teatro, de ações que suscitavam elevadas emoções ao público com o fim de purificar, purgar os sentimentos das pessoas. O verdadeiro natal, seu enredo e simbologia deveria servir como uma catarse para nossa vida. Não há catarse. Não há o renascer do novo, tudo velho como o papai-noel.

Outro modo de significar o natal hoje é perceber que o nascer de Cristo numa gruta, na bruta pedra quer demonstrar a materialização da nossa volta ao ventre materno, o isolamento do mundo, donde nós podemos emergir transformados do que éramos. Instante do implodir do outro a partir de mim mesmo. Lugar este da mesma gruta-caverna platônica donde podemos sair para a luz e para o novo com os olhos arregalados diante do susto que não conseguimos conter. Eis um natal que poderíamos festejar.

Celebremos então o natal de alguém que nasce sempre de novo em nós e que, na verdade, será a celebração da purificação, da amizade e da relação de paz entre os homens, entre o outro distinto, do encontro com o novo, pois ninguém pode se desligar totalmente de algo transcendente e desconhecido, até porque a crença no Outro não se dá por evidência empírica, mas por devotamento iludibriado!           

Enfim, simplesmente saiamos do natal escuro e agnóstico da “gruta estéril” de todos os anos para nos envolver à luz da catarse. E se acreditarmos na novidade natalina que se anuncia, então agora façamos votos de um feliz e abençoado natal a todos. Que a esperança renascida possa ser sempre vingada pela indiferença de nossa "fé" no renascer e no aparecer do novo. 

 

 

Édson Régis de Jesus

Grande abraço.

Um ótimo re-nascer, ótimo natal.

 

Publicado em www.ifibe.edu.br em 26/02/2008

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
   

 


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