Como compreender um texto filosófico

Eberson Fontana [1]

 

Os textos filosóficos têm uma forma muito própria de se apresentar ao leitor. Isto significa que quem quiser entrar em contato com ele e compreender sua profundidade deverá estar preparado. Em caso contrário, corre-se o risco de não abranger os fatores implicados. Na escrita filosófica nem tudo está dito explicitamente. Ademais, há conceitos e termos próprios da Filosofia e as problemáticas podem ser resolvidas ou abordadas através dos mais diversos tipos de raciocínios. Tudo isso constitui um grande horizonte a ser explorado.

É comum a presença de figuras de linguagem em textos filosóficos. Elas geralmente aparecem quando as palavras, em seu sentido denotativo, não são capazes de exprimir o sentido que o autor quer dar. Note-se que estas expressões não surgem ao acaso; não surgem somente para embelezar o texto. Possuem uma função bem definida na compreensão de um raciocínio, o que torna seu emprego e interpretação muito mais importante.

Também é primordial a observação do sentido de determinados conceitos. Eles têm um sentido próprio, diferente daquele empregado pela linguagem cotidiana, advinda do senso comum. Este é um traço tão importante neste tipo de texto que até alguns filósofos atribuem um significado diferente dos demais para determinadas expressões. Por exemplo, o significado de transcendental para Kant não é igual ao daquele nos demais filósofos da tradição. Sem a compreensão deste conceito em sentido próprio ficará difícil de saber a que ele está se referindo e, conseqüentemente, interpretá-lo.

É importante ainda ressaltar que cada texto filosófico, de alguma forma, trata de algum problema filosófico. O método que cada autor usa para resolvê-lo, ou simplesmente abordá-lo, pode ser variado. Alguns fazem uso de uma visão racionalista, outros pelo empirismo, e assim por diante. A maneira como argumentam também varia. Podem ser textos informativos, reflexivos, técnicos, literários ou até exortativos, mas sempre visam defender determinada tese diante do problema com o qual se deparam. O texto filosófico não usa apenas um destes elementos; geralmente combina todos ou vários deles. Por isso, é muito mais complexo e só pode ser compreendido se houver uma reflexão que leve em conta estes aspectos.

Com esta reflexão percebemos que, para compreender um texto filosófico, temos que levar em conta todo o conjunto que o compõe. Ele se apresenta complexo, não podendo ser interpretado sem que esta realidade seja levada em conta. Ainda assim, é fundamental não esquecer que, quem cumpre estes requisitos básicos, não necessariamente consigue captar imediatamente o sentido do texto. Mas, certamente terá condições de refletir melhor sobre o conteúdo apresentado. Nunca se chegará a uma interpretação perfeita e acabada, pois não é este o sentido de um texto filosófico. Ele instiga a caminhar mais e mais, criando uma profunda relação com ele.


[1] Acadêmico do Terceiro Semestre do Curso de Bacharelado em Filosofia do IFIBE

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
   

 


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