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Somos o que esperam de nós?
Nei Alberto Pies
[1]
Não somos somatórios, somos o resultado do que construímos
como pessoa humana. Desde quando concebidos, giram em torno da gente muitas
expectativas, dos outros e, também, nossas. Este conjunto de expectativas,
assumidas ou não, vai constituindo o ser humano que somos, sempre em construção.
Esta construção se orienta nas possibilidades de relações (sociais e de
conhecimento) que nos são permitidas vivenciar e através das escolhas que
fazemos.
Como seres
de e em relação, devemos cuidar
bem de nossa primeira morada, o nosso corpo. Pois, diferente do que muitos
apregoam, somos corpo antes de termos um corpo. É o corpo quem materializa a
nossa existência e condição de ser humano.
A individualidade, que caracteriza os
humanos, é uma das maiores dádivas da humanidade. Imaginar que somos únicos num
universo de bilhões de pessoas, no entanto, não nos permite uma vida
auto-centrada, mas uma vida compartilhada. E, esta vida compartilhada inclui,
além dos humanos, todas as demais formas de vida que co-existem no planeta. Em
busca de equilíbrio sócio-ambiental, o respeito à vida é a base para a
construção de uma vida satisfatória para todos.
O resultado, aquilo que somos, carrega
as peculiaridades que passam pela nossa constituição física e biológica, mas
também pela nossa constituição social. É por conta destas peculiaridades que
deveríamos ser conhecidos e
reconhecidos pelos demais. No entanto, não raras vezes, a nossa história
de vida, que engloba ambas as constituições, não é considerada como parte do
nosso conhecimento construído e acumulado.
Nossas histórias de vida são
verdadeiros pilares para a nossa constituição de seres de conhecimento. Por isto
mesmo, deveríamos ser mais oportunizados a
conhecer e reconhecer nossas histórias,
como também deveríamos ser vistos pelos outros a partir de nossas necessidades e
potencialidades reais, que constituímos ao longo de nossa existência.
Por sermos únicos, em nossa
constituição física e social, desenvolvemos maneiras singulares de ser e agir.
Por conta desta realidade, não poderiam, e nem podem, esperar da gente aquilo
que não podemos dar. Cada um de nós só pode dar o melhor de si, o que é o
resultado da conjugação das diferentes relações que vivenciamos.
Definitivamente, não somos, e nem
podemos ser, aquilo que esperam de nós. Ao contrário da homogeneização
pretendida na atualidade, carregamos todos a riqueza de uma vida singular e
própria. A humanidade precisa, urgentemente, compreender que a palavra de ordem
não pode ser tornar todo mundo igual
quando todo mundo se faz diferente.