Professor: reconhecê-lo ou reinventá-lo?

Não há dúvida: a vida é a melhor escola. Mas bem que a escola pode e precisa ajudar a viver melhor... Que os mestres não esqueçam: este nosso chão é o único que temos. É aqui o nosso mundo. E de que valem as melhores aulas, se não nos ensinam a tornar mais decente a vida no planeta? Mais humana a convivência entre as pessoas?” (José Dias Goulart)

Nei Alberto Pies [1]

 

Vivemos uma era ditada pelo conhecimento. A velocidade com que se imprimem as informações dá-nos, por vezes, a sensação de que nada é duradouro, que já não são mais as idéias que irão resolver os grandes problemas da humanidade. Mas ainda são as idéias que movem o mundo, e os jovens. E é dos nossos pensamentos e idéias que desvendamos os ideais de mundo, de escola e de sociedade. E neste contexto, qual o papel do professor?

Em casa, na escola, entre amigos, no trabalho, na família, a convivência exige postura de seres pensantes. E dizer o que pensamos do mundo, das coisas e das pessoas permite sermos reconhecidos em pensamento e ação, mas também cobrados em nossa coerência. Quando não assumimos nossas idéias, deixamos de ser nós mesmos e permitimos que alguém pense pela gente, o que nunca é legal.

Recentemente conversamos com jovens estudantes, do ensino médio, sobre o tema “Para que professor?” O professor, diziam alguns, é desrespeitado e desconsiderado como profissional, embora toda a sociedade dependa dele. Alguns estudantes vêem o ofício do professor como uma mera obrigação. Outros também lembraram que facilmente percebem o professor que ensina porque gosta e aquele que ensina por obrigação. E destacaram quem apresenta coisas além do seu conteúdo como professor diferenciado, cujas aulas rendem melhor. Ah, mas também lembraram que na escola é preciso dar limites. Como dar limites na escola? Uma só pergunta, de poucas respostas.

Os pais são a base de nossa educação. Educam com base na sua experiência, que tem raízes no passado. Já o professor, este tem a função de complementar a educação, no presente e para o futuro, ajudando na construção de nosso ser social e no exercício da cidadania. “Bons pais são os que nos mostram os caminhos, mas não os impõem. Fazem a gente assumir as responsabilidades. Gostaríamos de trazê-los para o nosso mundo, mas também é necessário entendê-los em seu mundo”, ponderam.

Na visão de alguns, escola é um ponto de encontros. De outros, possibilidade de os jovens aparecerem, serem vistos e lembrados. A escola é o lugar que permite ao jovem o exercício da rebeldia, espaço para ele mostrar quem ele é. Mesmo que muitos não saibam aproveitar esta fase de suas vidas, a escola é necessária porque ajuda na emancipação do jovem e o prepara para o futuro. Sim, porque os jovens sempre pensam em dar melhores condições para si e para seus pais.

Parece-nos fundamental, neste sentido, perceber o professor como um ser em relação, mediando a construção do conhecimento. O professor e a escola constroem condições para a sistematização das informações, hoje amplamente disponíveis a todos. A orientação no estudo, o diálogo e a convivência permitem transformar informações em conhecimento. O conhecimento gera instrumentos que permitem a todos uma maior compreensão de mundo e, conseqüentemente, uma melhor intervenção nele.

Ainda bem que sabemos da nossa importância, mas quem deveria reconhecer a gente... Bem, estes preferem re-inventar a escola e o professor. Re-inventar é re-enganar (enganar de novo). Até quando?

[1]  Professor e militante de direitos humanos

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
   

 


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