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Daquilo que é da gente

"O mundo é dos otimistas. Os pessimistas não passam de espectadores" (François Guizot)

 

Nei Alberto Pies [1]

A superação dos maiores desafios da humanidade não depende de economia e nem de tecnologia, mas exige a universalização de condições de vida digna a todos os seres humanos. A falta de acesso à comida, água, educação, cultura, trabalho, saúde e informação, os mais elementares, estão diluídos numa trama social de muitas carências. Obras sociais e humanitárias são instrumentos eficazes para o despertar da sensibilidade e organização social, mas limitadas na construção de soluções mais efetivas e permanentes; só as políticas públicas garantirão a efetivação e universalização dos direitos.

            Muitos reagem à problemática social com indiferença. Outros, com indignação. Outros, ainda, transformam sua indignação em engajamentos voluntários, militantes e de grande compaixão (seguindo exemplos como os de Madre de Calcutá). Estes últimos, nem sempre bem compreendidos, porque a defesa do ser humano exige uma postura firme e radical; vida e morte não são meio-termos.

            A defesa da vida, que também é defesa da dignidade humana, engloba o que a humanidade, através de muita luta e conquista, reconheceu como direitos humanos. O que vem a ser dignidade humana? Algo de difícil definição, mas que todos entendemos quando falta a alguém (como aquilo que define a própria noção de humanidade, enquanto condições mínimas para ser gente).

            Felizmente, nossa consciência coletiva já reconhece os direitos humanos como um ente invisível, atuante e presente em todos os lugares e a todos os seres humanos. Contraditoriamente, ainda atribuem-se responsabilidades aos direitos humanos (sujeitos que atuam na defesa dos outros), exigindo atuação e posicionamento em todas as situações de suspeitas violações. Se todos, no entanto, reconhecemos a falta ou a violação de algum direito, também deveríamos defendê-los. A defesa, promoção e denúncia de violação dos direitos humanos não é exclusividade de quem se faz militante ou é engajado, mas de todos nós.

            O reconhecimento dos direitos humanos é um grande capital social; que permite que a sociedade se posicione quando ocorrem situações de violações, podendo remetê-las a quem de competência deve salvaguardar. Então, se direitos humanos são uma idéia legal, tem a ver com cada um e cada uma de nós, deixemos que os mesmos se transformem em sentimentos de indignação e em atitudes de solidariedade para com a gente mesmo, para com a natureza e para com os outros com os quais formamos uma mesma humanidade.

            Qual é a minha e a sua parte? É permitir que a sensibilidade gere compromissos solidários para com os outros, para uma incondicional defesa da vida. Assim, em grande movimento, seremos capazes de produzir ações que transformem o que é “letra morta” (leis) em políticas públicas, direitos de verdade. É, a vida não pode esperar. E, para nos motivarmos, nosso combustível deve ser a fé, “porque a fé não costuma falhar”.

[1] CAMPANHA AFIRMAÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS, Comissão de Direitos Humanos de Passo Fundo.

 

 


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