Comunicar para que?

Renato Brancher [1]

 

Vivemos numa época em que a comunicação é essencial para a realização dos objetivos comuns de desenvolvimento e a coexistência pacífica. O domínio das tecnologias da informação e comunicação reforçou de maneira expressiva a capacidade de uns ligarem-se aos outros.

Ao comemorarmos, neste 17 de Maio de 2007, o dia internacional das comunicações e telecomunicações, podemos explorar as potencialidades que elas nos proporcionam para conseguir que todos os habitantes do planeta se beneficiem das vantagens da educação, dos cuidados de saúde, do comércio e da proteção do ambiente. A construção de uma sociedade da informação qualitativa e acessível depende de bases sólidas.

Hoje, muitas pessoas seriam incapazes de imaginar a sua vida sem a utilização de tecnologias de informação e comunicação, cada vez mais sofisticadas. Elas ajudam a manter o ser humano cada vez mais trancado dentro em suas casas, em verdadeiros presídios, comprometendo a convivência humana. Tudo é muito simples e fácil, a espera de ser consumido, desde a televisão e o rádio até a Internet, passando pelo telefone móvel. No entanto, para milhões de habitantes dos países mais pobres do mundo, continua a existir um "fosso digital".

Uma pergunta: qual o papel de grande importância das comunicações em todo o mundo? Ajudar as pessoas do mundo a se comunicarem. Este é o papel crucial da comunicação em todos os aspectos da atividade humana. Mas, o que percebemos na sociedade é que milhões de pessoas, especialmente nos países mais pobres, continuam a ser excluídas deste direito de se comunicar e a se comunicar. Estão alijadas do aceso a este direito humano fundamental.

 Qual seria a nova opção para este problema? Apresentar o problema é fácil, mas a solução nem sempre torna-se plausível. Pois como diria o ex-secretário geral da (ONU), Kofi Annan: “Seria necessário abrir o caminho para o desenvolvimento sustentável que são instrumentos cruciais para alcançar o progresso econômico. As tecnologias a preços comportáveis, nas mãos das comunidades locais, podem ser motores de mudança eficazes, tanto no plano social como no material. O acesso à informação e aos conhecimentos tecnológicos é essencial, se se pretender que o mundo vença a fome, proteja o ambiente e alcance os outros Objetivos de Desenvolvimento do Milênio”.

Expressões como “sociedade da informação”, "fosso digital" ou "era da informação" descrevem a época atual. Seja qual for a expressão que utilizarmos, a sociedade que estamos construindo deveria ser uma sociedade aberta e pluralista, uma sociedade em que todos, onde quer que se encontrem, tivessem acesso à informação e ao saber. Por isso é preciso que nossos governantes, as empresas privadas e a sociedade civil busquem reduzir o “fosso digital” e lancem as bases de uma sociedade da informação verdadeiramente inclusiva e emancipada, igualitária, com direitos para todos, com direito humano de se comunicar para viver.

[1] Aluno de Filosofia do IFIBE

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
   

 


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