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Alteridades

Nei Alberto Pies [1]

"Os fatos não deixam de existir porque são ignorados" (Aldous Huxley)

A exigência humana pela sociabilidade impõe a homens e mulheres que “cada um busque seu lugar ao sol”. Observamos, empiricamente, que são distintas e peculiares as formas do universo masculino e feminino conquistarem e ocuparem seus espaços sociais.  Esta é uma temática complexa que ousamos enfrentar explicitando algumas características e percepções de um e de outro, sem a pretensão de “afirmar verdades”, mas de provocar diálogo.

De uma visão machista nasceu a idéia de que as mulheres disputam mais seus espaços entre si. O fato é que, por muito tempo, pouquíssimas eram as margens para confrontarem ou disputarem coisa alguma com o sexo oposto, o que, hipoteticamente, pode ter contribuído para acirrar a disputa entre elas. Ou, ainda, esta seja mais uma idéia criada pelos homens para não admitir a grande influência que as mulheres sempre tiveram nas relações sociais.

Os homens buscam seus espaços destacando a sua força física e intelectual, sempre ostentando seu poder conquistado.Com pessoas do mesmo sexo, por exemplo, demonstram isto na medida em que não suportam a disputa, com outro homem, pela “posse” de uma mesma mulher. Além de uma medida injustificada e que reforça a idéia de dominação, o resultado é, muitas vezes, a eliminação física estúpida de um pelo outro. 

As mulheres fazem de seus espaços uma afirmação da feminilidade. Uma vez conquistados, seus espaços têm a cara da ternura, da dedicação e da firmeza conjugadas.Quando se trata de ascensão social ou profissional de outras mulheres, por vezes, muitas apelam para o desprezo e para a desconstituição moral, medida esta que, para além de dificultar as relações entre o mesmo sexo, inibe a ocupação de espaços, tornando a participação feminina menos ativa na sociedade.

Se é verdade que a “guerra” de sexos e entre aqueles (as) do mesmo sexo não constrói relações sociais integradoras e de boa convivência, precisamos vivenciar as mesmas a partir de outros conceitos. Ao invés de dominação, guerra, competição ou disputa, busquemos COMPLEMENTARIEDADE. Pois, respeito, compreensão, consideração, diálogo, cooperação, abertura e coragem são valores, e atitudes, imprescindíveis para quem acredita que a riqueza das relações sociais está no conhecimento e reconhecimento das nossas diferenças.Complementar-se pressupõe reconhecer-se tal e qual cada um e cada uma é. A isto chamamos de ALTERIDADE.

Definitivamente, não somos, e nem podemos ser, aquilo que esperam de nós. Ao contrário da homogeneização pretendida na atualidade, carregamos todos a riqueza de uma vida singular e própria. A humanidade precisa, urgentemente, compreender que a palavra de ordem não pode ser tornar todo mundo igual quando todo mundo se faz diferente.

 

[1] Professor e militante de Direitos Humanos

 
   
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
   

 


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