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“O
maior perigo está em ignorar o perigo”
Sueli
Gehlen Frosi [1]
É
de Edgar Morin a frase quando nos alerta para a possibilidade de nos auto
destruirmos. E quem pergunta: “Compreendemos corretamente o que percebemos?”
Trouxe
Morin para refletirmos juntos acerca da situação do Rio dos Sinos,
onde, a despeito de serem flagradas, empresas jogam dejetos mortais em seu
leito.
Somos
informados sobre a mortandade de peixes, a destruição da mata
ciliar, mas conseguimos ver corretamente o que está acontecendo? Não
sabemos sequer quais as empresas poluidoras, agraciadas com liminares que
impedem a divulgação de seus nomes.
Assistimos
não faz muito a destruição de laboratórios da
Aracruz, por ação de mulheres campesinas. A comoção
que se seguiu deveu-se ao fato de que a ação foi violenta,
caracterizada por um quebra-quebra amplamente mostrado na TV. O choro da
pesquisadora da empresa, ao ver seu trabalho de anos destruído, foi
chocante.
Na
ocasião, compreendemos corretamente o que percebemos? Aboletados em
nossos apartamentos e casas na cidade, perguntamos o que levou mulheres comuns,
honestas e trabalhadoras, a tomar atitude coletiva de destruição
do que foi chamado de pesquisa científica, de colocar em risco a permanência
no estado de uma empresa que gera tantos empregos? Será que a percepção
da nossa parte do que aquela “pesquisa” representa é a mesma percepção
que têm as pessoas que vivem da terra? Ou a ação foi
perpetrada por monstros destruidores do progresso? Quem tem mais autoridade de
avaliar a destruição ambiental do que os índios, do que os
moradores ribeirinhos, do que os quilombolas do Espírito Santo, (vítimas
das enormes extensões de cultivo de eucaliptos), do que nossos
agricultores (os pequenos)?
Estamos
certamente ignorando o perigo, fruto da falência do que foi concebido pela
modernidade. O Rio dos Sinos é o cartão postal do que fizemos com
nós mesmos e com nossa casa comum. A ciência e a tecnologia, longe
de resolverem nossos problemas, criaram mais problemas ainda. O progresso a
qualquer custo, a disponibilização de nossas reservas naturais
para interesses que nem são nossos estão exaurindo nossas fontes
de vida.
O
Rio dos Sinos já estava aí quando nascemos e tem o direito de
estar aí quando morrermos. A mata que o contorna tem o mesmo direito do
rio. As pessoas que vivem do rio têm o direito de se alimentar e tirar
dele o sustento da família.
Não
está longe o tempo em que tomaremos banho com paninho úmido. Aí
então, quem sabe, tenhamos coragem de tomar em nossas mãos o que
é nosso, para cuidar, mesmo.