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Mudos
Eduardo
Galeano [1]
Muitos
são os anéis que seus aniversários desenharam em seu
tronco. Estas árvores, estes gigantes cheios de anos, levam séculos
cravados no fundo da terra, e não podem fugir. Indefesos diante das
serras elétricas rangem e caem. Em cada derrubada o mundo vem abaixo; e a
passarada fica sem casa.
Morrem
assassinados os velhos estorvos. Em seu lugar, crescem os jovens rentáveis.
Os bosques nativos abrem espaço para os bosques artificiais. A ordem, a
ordem militar, ordem industrial, triunfa sobre o caos natural. Parecem soldados
em fila os pinheiros e eucaliptos de exportação, que marcham rumo
ao mercado internacional.
Fast
food, fast wood: os bosques artificiais crescem num instante e vendem-se num
piscar de olhos. Fontes de divisas, exemplos de desenvolvimento, símbolos
de progresso, esses criadouros de madeira ressecam a terra e arruínam os
solos.
Neles,
os pássaros não cantam.
As
pessoas os chamam de bosques do silêncio.