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Dia mundial da alimentação 

 Irio Luiz Conti [1]

O dia 16 de outubro foi instituído pela  Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), como o Dia Mundial da Alimentação. No Brasil as organizações que trabalham com o tema da alimentação definiram que neste ano se realizará a Semana Nacional da Alimentação, entre os dias 16 e 21 de outubro. Durante esta semana serão realizadas inúmeras atividades de caráter local, estadual e nacional. Sob diferentes enfoques estas atividades visam chamar atenção para um tema que é fundamental em nossa vida e que, muitas vezes, passa despercebido, sem que nos demos conta da importância de uma alimentação adequada em nossa vida.

De acordo com FAO, atualmente no mundo existem mais de 850 milhões de famintos, dos quais 70% vivem no meio rural. Apesar das metas do Milênio preverem a redução de 50% desse número de famintos até 2015, e de alguns governos estarem fazendo empenho nesta direção, os resultados já antecipam que tal meta não será cumprida e continuaremos convivendo com este flagelo por muitos anos.

No Brasil, no âmbito dos programas de transferência de renda e de combate à fome, o governo tem dado passos importantes:  primeiro, por pautar de forma clara o tema da fome como um grave problema social que requer ser encarado com medidas políticas; segundo, pela implementação do Programa Bolsa Família, que já beneficia 11 milhões de pessoas. Porém, estudos recentes divulgados pelo IBGE mostram que, pelo menos, 14 milhões de brasileiros continuam vivendo com fome no país e mais de 72 milhões sofrem algum tipo de insegurança alimentar. Ou seja, dois em cada cinco brasileiros não têm garantia de acesso à alimentação em quantidade, qualidade e regularidade suficiente. Ao lado disso cresce assustadoramente o número de pessoas obesas e mal-nutridas, que possuem condições de acesso aos alimentos, mas o fazem de forma inadequada. Estes dados denunciam que as ações que vêm sendo desenvolvidas são ainda muito frágeis e estão longe de atingir a perspectiva da realização  universal do direito à alimentação adequada, direito que o Brasil prevê em sua Constituição Federal, que assumiu ao assinar pactos internacionais, ao sancionar a Lei de Renda Básica e a Lei Orgânica de Segurança Alimentar e Nutricional. Esta última foi sancionada no dia 05 de setembro, e cria o Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, uma das leis mais avançadas no mundo em matéria de legislação sobre políticas públicas de segurança alimentar e nutricional.

Apesar de todo este arcabouço legal, ainda  existe grande distância entre os instrumentos legais e a realidade social brasileira. A realidade da fome já foi denunciada pelo estudioso Josué de Castro em “A  Geografia da Fome", cuja obra completa 60 anos neste ano e é referência a todos os que militam na área da alimentação. Ele dizia: "Denunciei a fome como flagelo fabricado pelos homens, contra outros homens", ela é "a expressão biológica dos males sociológicos". Portanto, o problema da fome no Brasil é complexo e proporcional aos problemas sociais que estão na sua gênese. Por isso, também requer soluções simples e complexas, emergenciais e estruturantes.

Celebrar o Dia Mundial da Alimentação e a Semana Nacional da Alimentação é renovar nosso compromisso de nos engajar, ou, pelo menos, apoiar as diferentes iniciativas de organizações e movimentos sociais que trabalham em nossa cidade, na região, no Estado e em todo o Brasil, visando favorecer um conjunto de condições que facilitem o acesso à terra e à renda, entre outras, condições indispensáveis para a realização do direito humano à alimentação adequada e à vida digna.

 

[1] Diretor Administrativo e Professor no Instituto Berthier (IFIBE). Diretor da Rede de Informação e Ação pelo Direito a se Alimentar - FIAN Brasil e Diretor da FIAN Internacional.

 
   
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
   

 


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