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Consciências
despertadas
Nei
Alberto Pies [1]
O atual momento histórico incorpora-se à despedida do rigor do
inverno. Pois, forrou-se o chão, e as folhas teimaram em cair. Com a
chuva e o vento, chegou o frio que, agora, dá seus ares de despedida. O
sol, o mesmo de todas as estações, desperta para um renovado
brilho, acompanhado de um denso calor. Despertamos para um novo tempo. É
primavera.
A aparente renovação do tempo, que parece sinalizada em nossos
dias, ganha novos contornos ao amanhecer. Reinam em nossas ruas e praças
novos sonhos, novas expectativas, novas conquistas, planos políticos e
eleitorais. O amanhecer se faz acompanhado de idéias, de encontros, de
manifestações diversas que almejam o convencimento. Em debates ou
conversas “esquentadas” ou descontraídas, apontamos os mais
diferentes projetos e rumos que o desejo individual ou coletivo gostariam de ver
concretizados.
É assim que este momento de rica democracia se constroe: no brilho das
mais diversas bandeiras, nos discursos consistentes e cheios de boas intenções,
nos apertos de mão e abraços, na interpelação e
interação (às vezes, inusitada) dos diferentes pontos de
vista.
Eleitores e candidatos, protagonizamos uma verdadeira “guerra de
convencimento”. Vale toda a criatividade e ousadia para a conquista de mentes,
que materializam suas convicções no sagrado ato de votar, de
decidir. Para a renovação das consciências, é um
tempo de graça. Para a democracia, é sempre um desafio renovado.
Para a real efetivação da democracia, é preciso ir além
do voto. É necessário que haja participação mais
permanente de todos os cidadãos e cidadãs na definição
e condução das políticas e projetos que são
implantados em nosso estado e em nosso país. Neste sentido, a democracia
é uma forma de convivência humana que exige que superemos a alienação
dos sujeitos. As pessoas envolvidas nos mais diferentes grupos sociais ou
instituições, a começar pela família, devem
participar da tomada de decisões. A separação entre os que
decidem e executam, além de possibilitar manobras, gera enorme
desinteresse pela convivência coletiva e pela busca do bem comum.
“O voto não tem preço, tem conseqüências”. Daí
a necessidade de garantir a todos o pleno exercício de consciência
e cidadania, pois todos somos (ou deveríamos ser) sujeitos de direitos.
A verdadeira democracia não tolera a existência de excluídos.
A fome, a miséria, a humilhação pelo poder e o desrespeito
às decisões de cada um, além de agredirem a dignidade
humana, cassam a cidadania de tantos que, em tempos eleitorais, são alvos
fáceis de manipulação.
Que este momento histórico, de disputa de idéias e projetos, também
nos desperte para a consciência dos direitos fundamentais necessários
para uma vida digna, para todos e todas. Também nos conscientize de que
estes direitos devem ser garantidos por quem delegamos o poder de nos
representar. Construir democracia significa participar da construção
de uma sociedade com a qual nos identificamos, para não sermos apenas
portadores de um
sagrado
voto.